3.10.15

década = dez anos


(…)
Já estou no avião.
Um avião quase ocupado em totalidade
Quantas pessoas, quantas histórias…
Quantas lágrimas, quantas alegrias…
Quantas expectativas, quantas meditações…
Quantas memórias, quantas marcas…
Quantas rotas cruzadas mas desconhecidas…
Quanta complexidade, diversidade de Seres.
Tanto tempo sem cronómetro.
Tanto.
Tão frágil.
Pode desaparecer num ápice, como grão de pó.
(…)
Oiço música de África mas que não é de Moçambique.
Quero e não quero ler o que escrevi neste tempo.
Quero e não quero ver as fotografias.
Quero e não quero (ou não consigo) pensar.
Tenho opções a fazer?...
Poderei continuar como se este tivesse sido um tempo breve de ausência, uma viagem?
O que foi este tempo?
(…)
Terei conseguido chegar às expectativas que levava? O que me impulsionava nesta viagem / estadia?
Conhecer África. Modos de vida tão distintos. Culturas tão diversas e ricas. Realidades diárias tão diferentes…
Ser um pouquinho mais útil, aprender que mais do que fazer há que saber estar e ser. Saber também receber, acolher as dádivas, ser humilde.
Escutar, ser paciente, confiante, não desesperar, aceitar cada ritmo, cada tempo próprio.
Aceitar-me.
(…)
Moçambique. África.
É tão distante! Parece que não estive lá… Do quão longe fiquei neste dois meses.
Quero partilhar o que vivi… Não vou ensinar novidades, apenas testemunhar o meu olhar. E que é somente isso: o meu simples olhar.
Sinto que recebi. Muito mais do que conseguiria dar.
Não sou, não fui missionária.
Sou, fui, tão somente Nídia.
(…)
Descemos para Lisboa.


03 Outubro 2005
A340 Francisco de Almeida | TP276