No início do mês de Fevereiro do presente ano - 2020 - propus-me finalizar um trabalho têxtil iniciado no ano lectivo de 1990/1991 na disciplina de Trabalhos Manuais, quando frequentava o 7º ano de escolaridade.
Um tapete com dimensões de 75x115cm ao qual faltava executar cerca de 2/3 de tecelagem em ponto esmirna.
Não tinha lãs suficientes para cumprir a composição inicial e nem sequer encontrei nas lojas os pacotes de lã pré-cortada. Ou seja, tive que "remodelar" o trabalho e dispôr-me a cortar cada novelo (comprei mais 10) em pequenos pedaços com 7,5cm de comprimento. Talvez tenha por aqui uma tendinite... mas é uma enorme satisfação ter concluído hoje esta missão!
De Alberto Manguel no seu livro UMA HISTÓRIA DA CURIOSIDADE (tradução portuguesa, ed. Tinta da China, Lisboa, 2015): Só muito mais tarde descobri que o questionamento podia ser outra coisa, uma espécie de emoção da demanda, a promessa de algo que se forma enquanto é formulado, uma progressão de perguntas que se multiplicam numa troca mútua entre duas pessoas e que não exigem conclusão. (...) Para uma criança, elas são tão essenciais à mente como o movimento o é ao corpo físico. No século XVII, Jean-Jacques Rousseau defendia que a escola tinha de ser um espaço onde a imaginação e a reflexão tivessem rédea livre, sem nenhum propósito prático óbvio nem objectivo utilitário. «O homem civil nasce, vive e morre na escravatura», escreveu. «Ao nascer, cosem-no em mantas; ao morrer, é pregado a um caixão; porquanto mantenha a figura humana, é acorrentado pelas nossas instituições.» Não é preparando as nossas crianças para um qualquer comércio que a sociedade requeira, insistia Rousseau, que elas se tornam eficientes nas suas tarefas. Antes de serem capazes de criar algo verdadeiramente valioso, as crianças têm de ser capazes de imaginar sem restrições.