Não é a 1ª vez nem será a última que colaboro nos preparativos de festas infantis. Neste caso, trata-se do aniversário de uma menina nascida num dia muito chuvoso quase há seis anos. Parece-me que é boa candidata para cantar e dançar à chuva!
(…) Já estou no avião. Um avião quase ocupado em totalidade Quantas pessoas, quantas histórias… Quantas lágrimas, quantas alegrias… Quantas expectativas, quantas meditações… Quantas memórias, quantas marcas… Quantas rotas cruzadas mas desconhecidas… Quanta complexidade, diversidade de Seres. Tanto tempo sem cronómetro. Tanto. Tão frágil. Pode desaparecer num ápice, como grão de pó. (…) Oiço música de África mas que não é de Moçambique. Quero e não quero ler o que escrevi neste tempo. Quero e não quero ver as fotografias. Quero e não quero (ou não consigo) pensar. Tenho opções a fazer?... Poderei continuar como se este tivesse sido um tempo breve de ausência, uma viagem? O que foi este tempo? (…) Terei conseguido chegar às expectativas que levava? O que me impulsionava nesta viagem / estadia? Conhecer África. Modos de vida tão distintos. Culturas tão diversas e ricas. Realidades diárias tão diferentes… Ser um pouquinho mais útil, aprender que mais do que fazer há que saber estar e ser. Saber também receber, acolher as dádivas, ser humilde. Escutar, ser paciente, confiante, não desesperar, aceitar cada ritmo, cada tempo próprio. Aceitar-me. (…) Moçambique. África. É tão distante! Parece que não estive lá… Do quão longe fiquei neste dois meses. Quero partilhar o que vivi… Não vou ensinar novidades, apenas testemunhar o meu olhar. E que é somente isso: o meu simples olhar. Sinto que recebi. Muito mais do que conseguiria dar. Não sou, não fui missionária. Sou, fui, tão somente Nídia. (…) Descemos para Lisboa.
...uma expressão adoptada para momentos "críticos" de trabalho.
Nestes primeiros dias de Setembro, visita-me a propósito de novo projecto de livro(s). Textos que me pedem composições ilustradas que ainda não consigo definir...
Uma peneira guardava pequenos tesouros... Tesouros anunciando poemas e melodias...
rosa para "TEORIA SOBRE AS COISAS FELIZES" (Carlos Lopes Pires) barco noz para "NADA SE COMPARA CONTIGO" (Carlos Lopes Pires) vela para "A CANÇÃO" (Carlos Lopes Pires) balão para "COMO O SOL" (Paulo José Costa) búzio para "SOPRO DA VOZ" (Paulo José Costa) colar para "TREMURA" (Paulo José Costa) algodão para "CORAÇÃO DE MULHER" (Acácio de Paiva) folhas para "DANÇA DO VENTO" (Afonso Lopes Vieira)
Há trabalhos que nos remetem para outros trabalhos, por vezes de volta aos arquivos académicos. Há trabalhos que relembram e consolidam lições: desenhar para aprender a olhar, para descodificar, para compreender estrutura e composição de elementos...
Foram muitas horas pelo Mosteiro dos Jerónimos (1º semestre da faculdade), com a sensação de aprendiz - minúscula - perante obra monumental!
(desenhos com caneta de tinta permanente, lápis de grafite,
lápis de cor, barra de carvão, sobre papel branco 42x30cm)