« O sol brilhava sobre a prata lisa da lagoa. Ficámos um tempo em silêncio, partilhando a perfeição da tarde. Finalmente Hongolo falou: - Conheces a história do macaco e do peixe? Eu não conhecia. Então o quimbanda pôs-se a contar: andava um macaco passeando pela floresta. Movia-se aos saltos pelas árvores, quando topou com uma lagoa como esta e olhando-a, entre o encanto e o susto, porque todos os macacos receiam a água, viu um peixe movendo-se em meio ao lodo espesso, junto à margem. «Que horror!», pensou o macaco, «aquele pequeno animal sem braços nem pernas caiu à água e está a afogar-se.» O macaco, que era um bom macaco, ficou numa grande angústia. Queria saltar e salvar o animalzinho, mas o terror impedia-o. Por fim, encheu-se de coragem, mergulhou, agarrou o peixe e atirou-o para a margem. Conseguiu içar-se para terra firme e ficou ali, alegre, vendo o peixe aos saltos. «Fiz uma boa ação», pensou o macaco, «vejam como está feliz!» Ri-me. Rimo-nos os dois. - O que eu mais receio - continuou o quimbanda depois que parámos de rir - é que os próprios peixes comecem a acreditar nos macacos. »
A RAINHA GINGA por JOSÉ EDUARDO AGUALUSA - Editora Quetzal, 2014, p.252
Olho para o calendário deste mês detendo-me nalgumas datas destacadas. Várias causas, todas elas tão nobres. Todas talvez realçando um protagonista comum: Ser Humano. Direitos Universais.
2 Dez - Dia Internacional para a Abolição da Escravatura 3 Dez - Dia Internacional das Pessoas com Deficiência 5 Dez - Dia Internacional do Voluntário 10 Dez - Dia dos Direitos Humanos 18 Dez - Dia Internacional dos Migrantes 20 Dez - Dia Internacional da Solidariedade
Setembro, Outubro, Novembro Há três meses que o livro «Vendedor de Sapatos» anda na estrada, sobre rodas ou pés calçados. Três meses. Trimestre. Tempo de balanço.
> Encontros e conversas com entrega mão em mão. > Encomendas e envio através de CTT. > Apresentações, conversas e dinâmicas para públicos e contextos variados. > Comentários e referências nalguns meios de comunicação (imprensa local, blogs, sites). > Agenda de Dezembro e convites alinhavados para o próximo ano 2015.
Procuro inovar cada um desses momentos e por isso a interacção que acontece é sempre uma surpresa! Se têm sido surpreendidos, continuem a convidar, interagir, oferecer, recomendar. Três meses? É um "bébé" com tanto mundo para aprender!
"Shoes on or barefoot, I won't stop walking!" (neste e noutros projectos...)
Roda o ano e novamente se ilumina a Declaração dos Direitos da Criança.
Neste espaço, deixo-vos com um excerto poético de Matilde Rosa Araújo. Poema guia para os candidatos ao Concurso Lusófono Trofa 2014 / Prémio Ilustração.
"Os meninos Que jogam à bola na minha rua Jogam com o sol E os pés dos meninos São pés de alegria e de vento A baliza uma nuvem tonta À toa Na luz do dia E eu olho os meninos e a bola Que voa E ouço os meninos gritar: Go...o...lo!... E não há perder nem ganhar Só perde quem os olhos dos meninos Não puder olhar"
No início do mês de Outubro, desenvolvi uma proposta para o concurso de logótipo do projecto "Artways: Políticas Educativas e de Formação Contra a Violência e Delinquência Juvenil" promovido pela UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta.
Não fui escolhida (podem ver a proposta vencedora a partir desta ligação https://www.facebook.com/projetoartways?fref=ts) mas partilho o que apresentei (logótipo base e memória descritiva).
Uma gaiola, contrário de liberdade contrário de ninho em habitat natural contrário de aprendizagem em voo livre alusão ao tráfego e exploração humana. Uma gaiola, com flores ou cortinas “bonitinhas” não apaga nem ilude a violência. Abrir a gaiola, é decisão de respeito e maturidade é proporcionar alternativas.
Uma gaiola suspensa por um gancho – em formato de interrogação – e com guizo na base. Vais dar o alerta? Vais abrir a porta ou fechar a cortina?
Quem sair da gaiola pode escolher, pode voar ou caminhar pode ficar perto ou ir para longe pode ter companhia ou não pode voltar e intervir. A expressão artística é uma possibilidade ao teu (nosso!) alcance.
Este projecto parece-me muito pertinente, por isso "torço" para que seja implementado em mais comunidades educativas.
« A serra corre de Nordeste a Sudoeste, como imensurável raiz de outra cordilheira que rompesse longe do seu tronco. Belo monstro de xisto e de granito, com terra a encher-lhe os ocos do esqueleto, ondula sempre: contorce-se aqui, alteia-se acolá, abaixa-se mais adiante, para se altear de novo, num bote de serpente que quisesse morder o sol. Ao distender-se, forma altivos promontórios, dos quais se pode interrogar o infinito, e logo se ramifica que nem centopeia de pesadelo, criando, entre as suas pernas, trágicos despenhadeiros e tortuosas ravinas, onde nascem rios e as águas rumorejam eternamente. »
A LÃ E A NEVE por FERREIRA DE CASTRO - Editora Guimarães, 1951 (6ª Edição), p63
« - ... - E desenhaste uma letra nova? - perguntou a mãe. - Não. É um mapa ligado ao sítio onde está uma surpresa. Para a madrinha procurar. Um presente para ela! - respondeu a filha. - ... »