Às vezes apetece-me começar a viver uma outra vida, com outro rosto, outra morada, outra identidade, sem contudo deixar de ser eu, sempre e só eu, e acreditem que gostava de ficar sentado numa esplanada, numa cadeira branca de palhinha, a ver-me ser outro sem deixar de ser eu, com os mesmos tiques, com a mesma exaltada paixão pelo timbre da palavra, com o mesmo vício dos livros, que é o único que verdadeiramente tenho e que me custa os olhos da cara. Mas é impossível, paciência. Resta-me a transfiguração naquilo que escrevo, compulsivamente, como um asmático a tentar libertar-se do ar que lhe oprime o peito. E para dizer a verdade, que é coisa que a poesia não tem necessariamente que dizer, não sei ao certo o que poderia ser se chegasse a ser outro. O que faria eu sem outra identidade? Seria astronauta, veterinário por amor aos bichos, corretor de bolsa transformado em pintor impressionista como o meu querido Gauguin, cinzelador de metais raros e preciosos, ourives de corte, cronista das tragédias sociais? Creio que nenhuma das hipóteses me agradaria e voltaria a ser aquilo que sempre fui, heterónimo de mim mesmo, a fugir de mim aos ziguezagues, cobra largando a pele dos ódios e dos medos sem se importar com a estação em que a mudança se opera (e para que a rima não falte), seja ela Inverno ou Primavera.
« Ver o mundo como um espelho de si mesmo dá-lhe a maravilhosa oportunidade de receber os reflexos positivos. (...) Quando vê a beleza em tudo, ela é um reflexo de si mesmo. Existem espelhos em todo o lado. Sempre que há uma relação, há um espelho e quanto mais profunda é a relação, mais poderoso é o espelho. É divertido utilizar o processo do espelho para descobrir quem somos através dos reflexos exteriores. A chave consiste sempre em mergulhar dentro de si para descobrir o significado do reflexo. (...) Fique aberto para receber a resposta que pode chegar-lhe sob a forma de palavras, sensações ou imagens. »
Estive no Porto este sábado para 'encerrar' a exposição que decorreu na «Casa da Horta» ao longo deste mês. Sábado frio de Novembro mas pintado de céu limpo e luminoso! Atmosfera convidativa a caminhadas pelas ruas fervilhantes de encantos - antigos e actuais, com simplicidade ou requinte.
Praça da Batalha, Rua de Santa Catarina, Rua de Fernandes Tomás, Mercado do Bolhão, Praça da Trindade, Rua Dr. Ricardo Jorge, Travessa da Cedofeita, Rua da Cedofeita, Rua Miguel Bombarda, Largo Prof. Abel Salazar, Rua do Carmo (e praças adjacentes), Rua das Carmelitas, Rua da Galeria de Paris, Rua de Cândido dos Reis, Rua dos Clérigos, Rua Trindade Coelho, Rua das Flores, Largo de S. Domingos e neste largo, sim, voltemos ao título desta publicação: FEIRAS FRANCAS.
São feiras que acontecem no último sábado de cada mês no Palácio das Artes - Fábrica de Talentos. Lugar para cruzar e divulgar projectos de diversas áreas artísticas em 'fermentação'.
Em continuação... Rua de Ferreira Borges, Rua de S. Francisco, Rua da Reboleira, Largo do Terreiro, Rua da Alfândega, Rua Mouzinho da Silveira, Rua Almeida Garrett, Rua de 31 de Janeiro e ponto de regresso a Leiria na Rua Alexandre Herculano.
Certamente não é exemplo único e pode ter efeitos 'mínimos', mas achei bastante curioso saber que dispõem de LIVRO de ACLAMAÇÕES para além das comuns reclamações...
É mais ou menos sob este 'estatuto' :) que me sinto à medida que vão surgindo os trabalhos para o Mercado de Artesanato em que participarei no início de Dezembro.
Porém, contrariando estes dias cinzentões, tento seduzir-vos com um ambiente de trópicos ;)