NOME Escreves um nome. [ pode pertencer a tantas pessoas ]
Mas quando escreves é único, tem um rosto irrepetível a ele associado.
Escreves um nome. E afinal é alguém muito próprio que tornas presente, que trazes até aqui, a esta escrita, à leitura que o amanhã possa fazer.
Um nome
[ agarrado a tantas pessoas ]
Aqui? Agora?
Não é anónimo. É a pessoa em si mesma que chega, que apresenta uma história.
Não é um nome, uma pessoa... É o nome, a Pessoa.
Pode ser o teu nome. Tu mesmo presente aqui.
(06Fev06)
« Artigo 7 1. A criança é registada imediatamente após o nascimento e tem desde o nascimento o direito a um nome, o direito a adquirir uma nacionalidade (...)
CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA Assembleia Geral das Nações Unidas - 20Nov89 »
...de retomar fôlego, beber Esperança, e sempre revisitar...
« Nem rei nem lei, nem paz nem guerra, Define com perfil e ser Este fulgor baço da terra Que é Portugal a entristecer - Brilho sem luz e sem arder, como o que o fogo-fátuo encerra. Ninguém sabe que coisa quere. Ninguém conhece que alma tem, Nem o que é mal nem o que é bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro... É a Hora!
é branca como a espuma das nuvens, como flocos de algodão soltos em brisas de outono
vais levar-me ao topo da serra?mostrar-me os pomares onde cresceste? de lá soltarei as asas, sobrevoarei o regato fresco e sei, onde quer que estejas, que o teu sorriso será o mais terno, pleno de luz e arco íris
sentes?.. é como flutuar em mar calmo... estamos de mãos dadas mas fechamos os olhos... e o mar, o mar será agora o nosso ventre comum, o embalar sussurrante das tardes de verão
gosto de ti, beijo-te e danço descalça em teu redor
já descobriste os pirilampos? vê!... são da cor do nosso coração a crescer contigo
Quando fechar os olhos, será novamente a serenidade dos teus braços a acolher-me
Deus escreve direito por linhas tortas E a vida não vive em linha recta Em cada célula do homem estão inscritas A cor dos olhos e a argúcia do olhar O desenho dos ossos e o contorno da boca Por isso te olhas ao espelho: E no espelho te buscas para te reconhecer Porém em cada célula desde o início Foi inscrito o signo veemente da tua liberdade Pois foste criado e tens de ser real Por isso não percas nunca o teu fervor mais austero Tua exigência de ti e por entre Espelhos deformantes e desastres e desvios Nem um momento só podes perder A linha musical do encantamento Que é teu sol tua luz teu alimento.
»
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Cem Poemas de Sofia, Ed. Revista Visão - JL, 2004)
« Mas, ainda na sua actividade mais resumida, a vida é um bem supremo: porque o encanto dela reside no seu princípio mesmo, e não na abundância das suas manifestações! »
não tenho inveja da maternidade nem da lactação não tenho inveja da adiposidade nem da menstruação só tenho inveja da longevidade e dos orgasmos múltiplos e dos orgasmos múltiplos
eu sou homem pele solta sobre o músculo eu sou homem pêlo grosso no nariz
não tenho inveja da sagacidade nem da intuição não tenho inveja da fidelidade nem da dissimulação só tenho inveja da longevidade e dos orgasmos múltiplos e dos orgasmos múltiplos
eu sou homem pele solta sobre o músculo eu sou homem pêlo grosso no nariz
Mientras que lo que es en parte no fuere aniquilado, y no viere lo que es perfecto, tu eres el lugar en que me escondo. Idas son las flores, más allá del mar. Aqui todavia el marrón y el amarillo. El verde. Nadíe, por ventura, recusará el verde. ( ) Idas son las flores, entretrocadas. En el silencio acerado, inmovil, te contemplas. Grande es tu atrevimiento, es cierto, porque queres conocer como eres conocido.
[ texto de Ana Seixas sobre projecto de Adalberto Tenreiro, traduzido para publicação - revista ArChitécti 10. ]
Estilos de vida. Estilos na arte. Se intervirmos em um, influenciamos o outro... Procuramos auxiliar nossos pacientes a perceber e a valorizar sua vida, a contemplar a extraordinária beleza do tempo: como é esse tempo que às vezes deixamos passar e não vivemos, para um dia se dar conta que já se passou tempo demais? Que tempo é esse que então buscamos recuperar? Que qualidade e duração ele tem? De onde vem o poder desse tempo de curar feridas e oferecer dias mais plenos e radiantes? Não é na arte que podemos expressar o maravilhamento pela eternidade do ciclo da vida do qual somos todos uma pequena parte? É preciso crer. É preciso se situar no espaço, ser. Quando sabemos quem somos não importa mais o porquê. É suficiente ser.
O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo. O que for o teu desejo, assim será a tua vontade. O que for a tua vontade, assim serão teus actos. O que forem os teus actos, assim será teu destino. Esse é o caminho de todos nós.