28.1.08

blogue

Não me esqueci,
não desisti dele...

Apenas a sensação de nem sempre ser o 'canal de comunicação' pretendido; pela incógnita - que existirá sempre - de não saber quem o visita, quem o procura; e se, ao fazê-lo, sorri surpreendida(o) com o que encontra, e desse encontro procura outros lugares, outros olhares...

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Hoje,
palavras de uma tela-poema,
hino a dois amigos :)


Fotografia cedida por 'S'

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Fazer por Viver com Amor
Fazer por Viver Amor
Fazer por Amor
Fazer com Amor
Fazer Amor
Viver Amor
Viver com Amor
Viver por Amor
Viver por Fazer Amor
Viver por Fazer com Amor
»

18.1.08

música

Audição,
Tacto,
Visão


«
A música serve para avisar, recordar, mostrar, direccionar na vertical.
A música é um argumento para o facto do Homem ser capaz.
(...)
A música é um instrumeno de Deus, mas em mãos humanas.
A sua ideia é cósmica, mas quem toca concretamente e hoje é matéria. Matéria que toca. O dedilhar da matéria que explora todas as suas possibilidades.
As posições dos dedos da matéria.
(...)
»

Ivan Kadlečík in “Rapsódia e Miniaturas”





8.1.08

'madrugada' fotográfica






Barragem dos Minutos, Alentejo





7.1.08

ironia,

na cor que pinta as grades
de uma
cela disciplinar
cela longe
cela só.

Prisão,

frio de corpo
frio de alma

de um e outro lado das grades
a ironia de uma cor,



cor Rosa Salmão.

3.1.08

2008

Novo ano, novo dia

«
O Rei da Cidade de Corinto, o poderoso e inteligente Sísifo, andou para aí a fazer mais que uma coisa que desagradou aos Deuses e mesmo ao próprio Zeus,
(…)
O Rei nu, o soberano, os músculos contraídos quase a ponto de rebentarem, imprime-se com todo o seu corpo, com todo o seu ser, à pedra angulosa, como se estivesse deitado de esguelha sobre a mesma: talvez imagine debaixo de si a macia Sofia. E está só, na sua proximidade não há vivalma. A metade esquerda da sua cabeça fende-se de dor até a esse coração pequeno e frágil e das raízes arrancado.
Ele pragueja e chora de desespero, talvez se encontre precisamente a meio do caminho, no ponto morto do plano inclinado, numa situação indeterminada entre o cume e o abismo. Reza, enfurece-se, já nada finge, ele é sacudido pelo medo e pela loucura do esforço vão. E mesmo assim, ou assim parece, ele gosta dessa pedra, apaixonou-se por ela. É o seu retrato fotográfico, uma parte da alma e o seu sentido, a sua liberdade interior. É que, o que acontece se conseguir levar a pedra até ao cume sem que caia? Ele perde o emprego, perde a sua profissão.
(…)
Ele nunca vencerá o poder da gravidade mas, contrariamente à lógica corrente, de uma forma absurda ele dá origem aos acontecimentos da História, produz a ideia da forma irredutível de que o espírito humano se encontra inserido no cosmos. Se por uma vez conseguisse empurrar a pedra para cima, ele venceria. Mas seria um vencedor? Seria um herói? Um vencedor já é há muito tempo, uma vez que as suas derrotas e os seus fracassos contínuos ainda não o quebraram; ele vai vencendo de forma heróica e diária a sua própria fraqueza. A coragem de sempre começar de novo, do nada, do zero – e de não se deixar abater, de não parar.

Afinal porque não?
(…)
»

Ivan Kadlečík in “Rapsódia e Miniaturas”